História da aviação

Atualizado: 27 de fev. de 2021

A História da Aviação – Parte 1: dos gênios à máquina mais pesada que o ar!


Fizemos, aqui, uma sinopse da 1a. parte da história do surgimento, desenvolvimento e avanço da aviação, uma das tecnologias mais revolucionárias da humanidade!

Voar! Este sonho permeou a imaginação dos homens e permaneceu estimulando as habilidades de vários cientistas e inventores durante séculos. Na mitologia grega, Ícaro tentou voar com asas coladas com cera, e fracassou. No século XV, Leonardo da Vinci, artista e inventor, elaborou vários projetos futurísticos, nos quais vislumbrava a possibilidade de o ser humano voar, o que só foi viável, ainda que momentaneamente, no século XVIII, quando o português Bartolomeu de Gusmão construiu o primeiro protótipo de um balão, fazendo sua primeira e única ascensão em 1708. Naquela conturbada época, a Inquisição o impediu que continuasse com seus experimentos.

Somente em 1783, na França, é que o balão começou a se tornar uma realidade, mediante os experimentos dos irmãos Montgolfier. Inicialmente, usava-se ar quente, até que o físico francês, Jacques Alexander Charles, provou que o hidrogênio era mais eficiente, ao fazer uma demonstração com seu balão, no qual permaneceu no ar por uma hora, em dezembro de 1783.

Os balões esféricos se tornaram um grande sucesso e eram presença comum em feiras, exposições e competições, além do uso frequente nos meios científico e militar. No entanto, havia um problema: os balões esféricos só podiam ser controlados verticalmente, e esta falta de controle lateral os deixava vulneráveis às condições do vento.


A criação de máquinas voadoras mais leves que o ar, “dirigíveis”: o brasileiro Alberto Santos Dumont entra para a história!


Alberto Santos Dumont, mineiro de Cabangu, nasceu em 20 de julho de 1873. Neto de portugueses e de imigrantes franceses, acreditava que, um dia, seria possível o ser humano voar. Quando adolescente, gostava de ler os livros do francês Júlio Verne, autor de obras como “A Volta ao Mundo em 80 dias”, “20.000 Léguas Submarinas” e “Viagem ao Centro da Terra”, todas com inspirações tecnológicas que o fascinavam. Viu seu primeiro balão esférico estático em São Paulo quando tinha apenas 15 anos. “Eu mantinha meus sonhos guardados dentro de mim porque no Brasil, naquela época, falar em inventar uma máquina voadora ou um balão dirigível seria admitir ser uma pessoa enlouquecida ou visionária”, comentou o jovem Alberto S. Dumont.

Como visionário que era, seguiu seus sonhos.

Em 1891, junto aos seus pais, foi morar em Paris. Começou, então, a estudar ciências e engenharia. Era interessado especialmente em física, química, eletricidade e mecânica.

Concentrou-se nos descobrimentos em aeronavegabilidade, e viu o quanto ainda precisava ser pesquisado. Foi quando surgiu o interesse em desenvolver uma tecnologia na qual fosse possível conduzir, ou melhor, “dirigir” um balão, ao invés de deixá-lo seguir à mercê do vento.


Santos Dumont e a busca pelo voo controlado!


Santos Dumont fez vários voos em balões esféricos até construir o seu próprio balão, quatro vezes menor do que os demais e bem mais leve, batizado de “Brazil”. Seu voo inaugural durou 5 horas e foi realizado, com grande sucesso, na data comemorativa da independência dos Estados Unidos, 4 de julho de 1898.




Este ótimo resultado o inspirou a seguir adiante e a alcançar seu objetivo: criar o primeiro balão “dirigível” e, enfim, poder escolher o destino dos seus voos.

Após muito trabalho e algumas falhas, finalmente, no dia 20 de setembro de 1898, o extraordinário “balão dirigível” fez o primeiro voo controlado da história da aeronáutica, não apenas subindo e descendo como os demais balões, mas também fazendo curvas, graças à potencia do 1o motor de combustão interna, instalado em um balão e aos lemes de direção. Com seu inovador balão dirigível de formato alongado, Santos Dumont se tornou o primeiro navegador aéreo do mundo!



Em outubro de 1898, para marcar este momento histórico e organizar o novo esporte, foi criado o primeiro “aeroclube” do mundo, o famoso “Aéro-Club de France”. Santos Dumont fez parte do primeiro Comitê Diretor, na companhia de Gustave Eiffel e outros ilustres membros.

Uma das primeiras decisões do Comitê foi adquirir uma área em Saint-Cloud (bairro ainda afastado do centro de Paris, naquela época), para criar o primeiro “Aéro-Parc”, que seria a área dedicada aos experimentos dos membros do clube.



Para comemorar a inauguração do Aéro-Parc, no dia 23 de outubro de 1898, foi lançada a primeira competição aérea de balões esféricos do mundo. A partir de então, várias competições foram organizadas com o intuito de promover o avanço da aeronáutica e a superação dos seus desafios.

O Aéro-Club de France se transformou na entidade mais importante do mundo em relação ao desenvolvimento e ao progresso da aeronáutica, começando com o balonismo. Uma de suas inovações, no início do século XX, foi a instituição de exames e licenças de voo para pilotos de balão, que tornava esse esporte muito mais seguro.

Em 13 de novembro de 1899, a bordo do seu revolucionário balão dirigível de número 3, Santos Dumont fez seu voo de maior sucesso até então, realizando inúmeras manobras, com várias voltas em torno da Torre Eiffel e pouso sem incidentes. Com mais este triunfo, a popularidade e a fama de Santos Dumont só aumentaram. Ele se tornou famoso, não só por suas invenções, mas também por sua determinação e resiliência, pois mesmo sofrendo alguns fracassos e acidentes, seguia em frente criando, inovando e solucionando os problemas que, eventualmente, surgiam à sua frente.

Mais uma vez ele inovou ao criar o primeiro hangar do mundo, onde construiu sua fábrica aeronáutica para desenhar e montar seus inúmeros projetos, além de produzir o próprio hidrogênio, necessário aos seus inovadores balões.

Em abril de 1900, Henry Deutsch de la Meurth, um aristocrata entusiasta da aeronáutica, com o intuito de promover o desenvolvimento dos balões, criou o Prêmio Deutsch, no valor de 100 mil francos, para a primeira aeronave que decolasse do Aéro Parc de Saint Cloud e pudesse executar uma volta em torno da Torre Eiffel, retornando ao ponto de partida em 30 minutos ou menos. Este voo deveria ocorrer entre os anos de 1900 e 1904.

Depois de várias tentativas frustradas, no dia 19 de outubro de 1901, em frente a 300 espectadores e com a supervisão do comitê científico do Aéro-Club de France, Santos Dumont conseguiu fazer o voo histórico a bordo do seu dirigível de número 6, tornando-se o famoso vencedor do Prêmio Deutsch! Dos 100.000 francos que recebeu, ele doou metade para seus funcionários e a outra metade para os mais aflitos de Paris.




Durante a comemoração do grande feito, ele revelou a Sr. Louis Cartier que não conseguia monitorar seu tempo sozinho, foi presenteado por este célebre amigo com o primeiro relógio de pulso da Maison Cartier, o modelo “Santos”. O brasileiro se tornou a personalidade mais conhecida do início do século XX, e provou que o sonho de voar e de controlar o voo havia sido, finalmente, realizado!

Santos Dumont: visionário, idealista e incentivador da mulher aviadora

Em 1903, Aberto Santos Dumont se tornou o primeiro grande apoiador da mulher na aviação, quando conheceu a jovem americana de origem cubana, Aida de Acosta. Ela ficou encantada com seus balões dirigíveis e pediu permissão para voar em um deles. Ele aceitou o pedido prontamente, no entanto, desconhecia o real desejo da jovem, de conduzir sozinha sua máquina voadora e, admirado, concordou. Enquanto Aida pilotava o dirigível mais popular de Santos Dumont – o balão de número 9, Baladeuse Aérienne (Carruagem Voadora) – ele a acompanhava, de bicicleta ao seu lado, até o momento do pouso. Este feito rendeu à Aida de Acosta o título de primeira mulher, no mundo, a pilotar uma aeronave! E a pilotou por 2 vezes, pois fez questão de conduzir a aeronave de volta ao ponto de partida.




Além de visionário, Alberto Santos Dumont era um idealista: não acreditava em patentes ou em obter ganho financeiro com suas invenções. Ele disponibilizava todos os diagramas dos seus projetos a quem os solicitasse. Considerava suas invenções “carruagens da paz” e, por meio dos voos, acreditava que os povos da terra, uma vez sem barreiras, poderiam se conhecer, e que essa aproximação promoveria mais compreensão e tolerância na humanidade.

A invenção de máquinas voadoras mais pesadas que o ar, autônomas e controláveis: os aviões

As teorias da aeronáutica, aplicadas mediante o uso de uma máquina mais pesada que o ar, puderam ser comprovadas graças aos trabalhos do ilustre britânico engenheiro, Sir George Cayley. Em 1804, através de suas pesquisas científicas e tecnológicas, ele projetou a primeira aeronave planadora, que chamou de “paraquedas voador”.

Entre 1809 e 1813, ele publicou 3 artigos contendo importantes teorias, que se tornaram a fundação da aeronáutica. Chamou este trabalho de “Navegação Aérea”. Entre 1849 e 1853, projetou, fabricou e voou 2 aeronaves planadoras e um helicóptero. Ficou conhecido como o primeiro engenheiro aeronáutico de todos os tempos!

Baseados nos estudos de Cayley, vários engenheiros se tornaram inventores e começaram a acoplar os primeiros motores a seus planadores, na tentativa de serem os primeiros no mundo a pilotar, de forma autônoma e controlada, uma máquina mais pesada que o ar.

Em 1891, um famoso amigo de Santos Dumont – o professor catedrático Samuel Pierpont Langley, diretor do Instituto Smithsonian, dos Estados Unidos, e pesquisador de astronomia e aeronáutica – publicou uma lei na qual afirmava que a máquina mais pesada que o ar era viável. Para comprovar sua teoria, ele construiu seis aeronaves equipadas com motores a vapor e testou-as, secretamente, no rio Potomac, nos Estados Unidos, próximo à cidade de Washington, D.C.

No dia 6 de maio de 1896, com o uso de uma catapulta, Langley conseguiu voar meia milha de distância, a cem pés de altura, antes de ficar sem meios de propulsão, tendo o inventor do telefone, Alexander Graham Bell, como sua testemunha. Langley concluiu que, para aumentar o desempenho dos seus protótipos, teria que mudar o tipo de motor utilizado, então, viajou à França em busca de soluções. A amizade com Santos Dumont fez com que o brasileiro despertasse seu interesse por máquinas mais pesadas do que o ar, no entanto, no ano de 1900, o Prêmio Deutsch de balonismo era sua prioridade.

Com o apoio do governo americano, Langley deu continuidade a seus experimentos em busca do voo autônomo e controlado. Ele acreditava que os aviões seriam capazes de trazer paz às nações, pois seu poderio inibiria qualquer tentativa de hostilidade militar.